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NOTA DE REPÚDIO - CULTURA DO ESTUPRO

Recentemente presenciamos na internet a circulação de imagem intitulada “Regulamento Inter UFG 2016”. A imagem demonstra que havia entre alguns estudantes da UFG, durante os jogos e festas realizados pelos grupos de atléticas da instituição, uma "disputa" que pontuava as mulheres de acordo com critérios referentes à beleza, cor da pele, peso e orientações sexuais.

Vale salientar que essa imagem, repudiada por inúmeros núcleos e observatórios da UFG e pela própria reitoria, circulou na mesma semana em que o país ficou chocado com a denúncia de um estupro coletivo no Rio de Janeiro. O curioso é que muitas pessoas não identificam a correlação entre os dois incidentes.

A imagem que circulou entre os estudantes da UFG não é apenas uma "brincadeira de mal gosto". Ela é um exemplo muito oportuno do que chamamos de cultura do estupro. Esse termo, que causou estranheza entre usuários das redes sociais, é usado pela sociologia desde a década de 1960. Vale aqui explicá-lo... Por que  chamamos de cultura? Porque o estupro no Brasil não se trata de um ato isolado cometido por seres "monstruosos" ou doentes, mas de inúmeras atitudes presentes em nosso cotidiano e que naturalizam esse tipo de agressão. A cultura não é algo positivo ou negativo. Cultura é todo e qualquer padrão de comportamento social presente em uma determinada sociedade e que é propagado e normatizado por valores, símbolos, ideias e práticas rotineiras. Está presente na mídia, nas músicas, nas propagandas, nas escolas, na família. Por isso, infelizmente, há a cultura da violência, do racismo e, muito fortemente, há a cultura do estupro e do machismo no Brasil. A foto acima é apenas um exemplo dessa cultura, e cabe a nós cotidianamente lutarmos contra ela, tanto a partir da educação informal (de nossos filhos e filhas, por exemplo) quanto a partir da educação formal (nas escolas e universidades).

Por isso, é inadmissível que vejamos na UFG de forma tão evidente a cultura do estupro sendo propagada como uma "brincadeira". A universidade é o local em que formamos pensamentos críticos, reflexivos e éticos que serão os instrumentos para uma sociedade em que haja direitos e dignidade para quaisquer seres humanos. O Observatório Goiano de Direitos Humanos REPUDIA essa manifestação que propaga a cultura do estupro, e convoca todos os goianos a participarem do "Gritaço Contra a Cultura do Estupro", que acontecerá na Praça Cívica no dia 1 de junho, às 17h.

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